Quando a empatia é capaz de salvar vidas

A empatia está presente desde as pequenas atitudes e pode mudar o dia - e até a vida - de muita gente

empatia

Você sabe o que é empatia? De acordo com o dicionário, é a habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa, compreender os sentimentos, desejos e ideias do próximo. É uma palavra forte, que vem carregada de um significado emocional grande. Mas você já pôde sentir na pele a empatia?

Em um mundo em que nossos olhos estão cada vez mais voltados para baixo, fixos no celular e longe dos olhos de quem passa na rua, é comum imaginar que as pessoas se tornaram mais egoístas, autocentradas. Mas histórias contadas por pessoas de todo o mundo nos mostram que a empatia faz parte do ser humano e que é possível construir um mundo melhor se todos se propuserem a olhar para o próximo.

  • A empatia nos noticiários
  • Porque somos empáticos?
  • A empatia ajuda na depressão?
  • Relatos de quem recebeu e dividiu amor

Essa semana o Brasil perdeu um grande jornalista. Ricardo Boechat sofreu um acidente de helicóptero, que tirou a sua vida e a do piloto que conduzia a aeronave. Mas essa história teria mais uma vítima se não fosse por Leiliane Rafael da Silva, de 28 anos. Leiliane salvou a vida do motorista de caminhão João Adroaldo, que dirigia por uma importante via de são Paulo quando teve seu veículo atingido pelo helicóptero de Boechat.

As imagens de Leiliane rodaram o Brasil. Ignorando qualquer medo de que o caminhão pegasse fogo ou que algum estilhaço de vidro ou metal a atingissem, a jovem quebrou sozinha a janela no caminhão, abriu a porta e conseguiu resgatar João antes que as chamas tomassem a cabine do caminhão.

Porque somos empáticos?

De acordo com o psicólogo Dr. Roberto Debski, atitudes como essa, que vão em sentido contrário do senso de autopreservação, não são tão incomuns. “A empatia faz parte de todos nós. Todo ser humano tem o que eu chamo de luz e sombra dentro de si. De modo geral as pessoas têm coisas muito boas para oferecer”, explica.

Outro ponto importante para o especialista está no prazer que o ser humano sente em fazer o bem. “Ter empatia, ajudar o próximo, salvar uma vida, isso tudo não é só um ato altruísta. Existe também no nosso subconsciente um prazer de fazer o bem. Faz bem ver que você deixou alguém feliz. Além disso, você pensa ‘poderia ser eu’ e consegue sentir o que aquela pessoa está sentindo no momento”.

A empatia ajuda na depressão?

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Fernanda Lopes Rodrigues, assistente de vendas, foi salva pela empatia depois de ser assaltada há 8 anos e desenvolver síndrome do pânico e ansiedade.

“Em agosto de 2018 foi onde começou a luta. Eu estava sofrendo muito, tinha medo de sair nas ruas e não conseguir voltar para casa, medo de perder a memória, medo de passar mal na rua e ninguém conseguir me ajudar, medo de enlouquecer. Então eu pensava em suicídio diariamente e pedia a Deus pra que me levasse logo, meus sonhos já não era mais sonhos e eu perdi a vontade total de tudo e de viver.

Minha amiga, Barbara, sempre tentou me acalmar, me ajudou com conselhos, até que em dezembro de 2018 eu aceitei ir com ela para um retiro. Lá Deus fez a transformação na minha vida, limpou tudo de ruim e mágoas que existiam”, conta.

Fernanda conta que foi a ajuda de Barbara que deu forças para que ela não cometesse suicídio. E é por isso que hoje ela retribui sempre que pode: “Participo de um grupo de pessoas que gostam de animais e percebi que muitas pessoas pedem ajuda diariamente, desde algo mais simples até algo mais grave. Então decidi todo mês tirar um valor de 50 reais e deixar reservado. Sempre que vejo alguém pedindo ajuda, contribuo com 5 reais. Eu entendi que se cada um ajudar cada pessoa com 5 reais, muito mais gente vai ter o que precisa”, finaliza a jovem, que também reserva um dinheirinho para ajudar quem pede nos semáforos e em outros grupos da internet.

É importante entender que casos como o de Fernanda, que envolvem sérias crises depressivas, pedem um tratamento especializado. Mas isso não significa que a empatia do próximo não ajude a fazer com que o tratamento funcione melhor. Mesmo se o “próximo” estiver a muitos quilômetros de distância e vocês nunca tenham se visto pessoalmente.

Isso porque com a internet cada vez mais presente na vida das pessoas, o dr Roberto Debski explica que é comum que as pessoas recorram a esse ambiente quando precisam de ajuda imediata, principalmente psicológica. “Quando a pessoa está em crise, ela muitas vezes só precisa de alguém que a escute. E esses grupos do Facebook são muito úteis para isso. Toda rede de apoio para quem sofre de depressão é válida”, explica. Drebski ressalta, porém, que essa é uma ajuda imediata, que não substitui o acompanhamento médico.

Relatos de quem recebeu e dividiu amor

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Por mais que não sejam decisivos para salvar vidas, alguns relatos são importantes para aquecer o coração e nos fazer pensar em como uma pequena atitude pode transformar o dia de outrem. São histórias de pessoas que receberam ou deram um pouco de amor para desconhecidos, sem que nada fosse usado como moeda de troca. É a empatia no significado mais puro da palavra e que servem de exemplo para que todos possam perceber que é muito simples fazer alguém sorrir. Vamos ver alguns?

“Eu trabalhava em um veículo de comunicação em São Paulo e minha função era vender jornal. Um dia liguei para uma senhora e ela me disse que não estava com condições financeiras e emocionais para continuar aquela ligação e eu perguntei se estava tudo bem. Ela me disse que queria se matar por causa da família, que ninguém dava atenção para ela. Então fiquei 15 minutos em ligação, explicando como a vida é boa se trabalharmos o melhor de nós mesmos. Conclusão? A senhora ficou tão feliz que me disse: Eu estava pedindo tanto a Deus por uma ajuda, e ele me ligou. Mas fui demitido (pegaram a ligação). Eu sou bem racional e sempre tive calma em situações como essas. E o sentimento de gratidão e reflexão vem sempre alguns minutos depois do ocorrido” (Nicolas Escandon, Terapeuta Holístico)

“Eu estava triste por um motivo que nem me lembro mais, no Starbucks esperando um amigo chegar. Aí eu estava no balcão chorando, falando ao telefone com alguém, quando de repente essa pessoa deixou um bilhete pra mim, escrito em inglês. Foi dia 16/05/2008! A pessoa escreveu uma mensagem para que eu ficasse bem, na notinha de compra! Eu não entendi nos primeiros segundos o que estava acontecendo. Mas depois fiquei alguns minutos olhando pro bilhete e me senti… Meio que acolhida sabe? Como se não tivesse sozinha no mundo, entendi que aquilo que eu estava sentindo ia passar. E depois fiquei feliz com o gesto e chateada por não ter conhecido essa pessoa, tanto que guardei o bilhete até hoje”. (Bruna Biffi, Coordenadora de Eventos)

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“Eu estava indo para um dia normal de estágio, no trem, quando uma moça passou vendendo chiclete com sua filhinha, o chiclete custava 1 real apenas, e ela entregava um papel dizendo estar desempregada e não tinha nada para dar de comer aos seus filhos. Naquele momento eu senti em mim a dor que aquela mãe estava sentindo. Então eu a chamei e perguntei se ela aceitava compras e roupas (faltavam dois dias para o natal). Ela disse que aceitava e me deu seu número… eu não sabia como iria arranjar aquilo para dar, pois na minha casa também estávamos com dificuldade financeira, mas dei um jeito e recorri aos amigos da igreja. Consegui recolher roupinhas e alimentos e no dia 24 cedo fui entregar à ela, que me agradeceu muito. Aquilo foi mais gratificante que tudo. Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo, ver que eu ajudei alguém foi como se eu estivesse precisando. Eu sinto que mais ela me ajudou do que eu a ajudei, sabe? ”  (Yasmin Vicente, técnica em enfermagem)

“Uma vez fui em uma casa noturna e no fim da festa tinha uma garota esticada no banheiro, ela não chegava a estar desmaiada, mas dava pra ver que estava bem mal. Ela deve ter tentado usar o vaso e caiu, então ela estava quase sem roupas. Chamei duas amigas e nós a vestimos, lavamos o rosto dela, conseguimos fazer com que ela nos dissesse seu nome e com quem ela estava e achamos os amigos dela no meio da festa. Eles agradeceram muito e a levaram embora. Eu fiquei muito feliz por ter ajudado, porque e se não fosse eu que a encontrasse? Mais alguém teria ajudado? Eu nem a conhecia, mas fiquei mais tranquila quando vi que ela estava segura”, (Thamires Fernandes, estudante)

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