O Feminicídio é uma praga na América Latina

Como o discurso de Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude reascendeu a discussão sobre o aumento do feminicídio no Brasil

Feminicídio

Apesar de todas as campanhas de conscientização e do trabalho árduo das militâncias, o ano de 2018 foi cruel para as mulheres no Brasil – e no mundo. Os crimes de feminicídio e de tentativa de assassinato dispararam no país. Em alguns casos, mais do que dobraram. E 2019 começou ainda mais violento.

  • Feminicídio no Brasil
  • Papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude
  • Para denunciar

Feminicídio no Brasil

A covardia e a brutalidade cresceram e muito no Brasil nos últimos 12 meses. Dados divulgados pelo Ligue 180, canal do agora Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mostraram que em 2018 quase 93 mil denúncias foram registradas por mulheres. Elas são vítimas de uma cultura de tolerância à violência.

Este número representa um aumento de 25,3% em relação ao ano anterior, quando 73.669 denúncias foram registradas. O assassinato de mulheres também cresceu. O crime aumentou 63% passando de 24 assassinatos entre julho e dezembro de 2017, para 39 no mesmo período de 2018. As tentativas de feminicídio saltaram de 2.749 para 4.018 no mesmo recorte de tempo: alta de 46%.

Para se ter uma real ideia do problema, é preciso lembrar que grande parte das mulheres agredidas dentro de casa não denunciam. Elas sofrem caladas por medo de represálias, ou por vergonha do julgamento popular, e portanto estão fora dessa estatística alarmante. Sem contabilizar essas pessoas, 391 mulheres foram agredidas por dia em dezembro de 2018. E no total, quantas terão sido?

Papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude

Papa Feminicídio

Não é à toa que Papa Francisco, a maior autoridade da igreja católica no mundo, tocou nesse tema tão delicado durante seu discurso na Jornada mundial da Juventude agora no começo de 2019.

Quando falava sobre os principais problemas que afetam os jovens no mundo, Francisco falou sobre o feminicídio e disse que estes crimes constituem uma praga que o nosso continente vive, junto à ação de gangues armadas e criminosas, ao tráfico de drogas e a exploração sexual”.

O canal de denúncia passou a registrar feminicídios desde julho de 2017. Para a violação existem duas tipificações: o feminicídio, quando uma terceira pessoa informa sobre uma mulher vítima do crime; e a tentativa de feminicídio, na qual a vítima ou outra pessoa informam a agressão. Maridos e ex-companheiros são os principais algozes e agem com, cada vez mais, crueldade.

Quando o “feliz para sempre” dito na hora do sim se transforma em um cenário de dor, humilhação e risco de morte com tanta frequência como tem sido no Brasil, é preciso avaliar qual o papel das autoridades no combate e na conscientização.

Para denunciar

registros de feminicídios

De acordo com o anuário brasileiro de segurança pública, existem apenas 443 delegacias especializadas no atendimento às mulheres em situação de violência em todo o país. Isso significa que menos de 10% dos 5.570 municípios do país, além do DF, contam com o serviço. Porém o canal telefônico é uma boa alternativa.

O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, é o serviço oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A ligação é gratuita e confidencial. Esse canal de denúncia funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, no Brasil e em outros 16 países.

Além de registrar denúncias de violações contra mulheres, encaminhá-las aos órgãos competentes e realizar seu monitoramento, o Ligue 180 também dissemina informações sobre direitos da mulher, amparo legal e a rede de atendimento e acolhimento.

 

Segurança da Família

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