Depois de registrar quedas por dois anos seguidos no número de mortes violentas, o Brasil fechou o primeiro semestre de 2020 com aumento de 6% nos assassinatos, de acordo com levantamento do G1, que acompanha os crimes violentos mês a mês.

Em seis meses, foram registradas 22.680 mortes violentas, contra 21.357 no mesmo período do ano passado. Ou seja, 1.323 mortes a mais. Esse aumento, em pleno período de distanciamento social, nos leva a refletir sobre quais seriam os índices totais caso não houvesse menos pessoas nas ruas.

trafico de armas

A principal região responsável pelo aumento foi o nordeste, que nos últimos anos havia ajudado a diminuir as estatísticas. Os assassinatos na região cresceram 22,4% no semestre. No norte, Centro-Oeste e Sudeste, a tendência de queda dos anos anteriores se manteve.

Dos 26 estados da federação, 17  apresentaram alta de assassinatos no período, com 5 deles tenho aumento superior a 15%: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Maranhão e Ceará.

Violência policial

O número se torna ainda mais grave quando levamos em conta que o Monitor da Violência do G1 não computa as mortes causadas em decorrência de confronto policial. Isso quer dizer que estão fora dessas estatísticas as pessoas que foram mortas pela polícia. O próprio estudo ressalta, porém, que alguns estados apontam que também houve aumento desses casos.

Em São Paulo, por exemplo, 498 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço e fora de serviço no primeiro semestre deste ano, contra 414 no mesmo período de 2019.

Estados em queda

Dez estados não seguiram a tendência e apresentaram diminuição dos indicadores. Roraima e Pará, por exemplo, tiveram queda de mais de 20%.

armas de guerra no crime

Quem também chamou a atenção foi o Rio de Janeiro, com 238 mortes a menos. Foram 1.938 mortes, o menor índice de crimes violentos nos seis primeiros meses de um ano desde 1999.

A ferramenta criada pelo G1 permite o acompanhamento dos dados de vítimas de crimes violentos mês a mês no país. Estão contabilizadas as vítimas de homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais.

Jornalistas do G1 espalhados pelo país solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso à Informação, seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados coletados mês a mês pelo G1 não incluem as mortes em decorrência de intervenção policial. Isso porque há uma dificuldade maior em obter esses dados em tempo real e de forma sistemática com os governos estaduais