Você sabe o que é “catfish”? E sabe por que incluímos esse tema em nossa semana especial Setembro Amarelo? Pois nós vamos explicar. O termo “catfish” é, na verdade, uma gíria em inglês para falar sobre pessoas que foram enganadas por outras na internet. Normalmente diz respeito a situações em que o “farsante” cria um perfil falso nas redes sociais para se relacionar romanticamente com outras sem dizer quem de fato é.

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Esse tipo de “golpe” ficou conhecido mundialmente com um sucesso da MTV dos Estados Unidos, em 2007, com a estreia do programa “Catfish”, que acompanha o drama das pessoas que se apaixonam por perfis falsos. Em uma espécie de reality show, o apresentador Nev Schulman ajuda as vítimas a entenderem se os namorados e namoradas virtuais são quem dizem ser.

A série surgiu justamente após o próprio Nev sofrer uma decepção amorosa online. Ele se envolveu emocionalmente com uma mulher e depois descobriu que ela era uma pessoa completamente diferente. A história foi registrada em uma filmagem pelo irmão de Nev e acabou também virando um filme.

As sequelas psicológicas

Mas por que falar sobre isso no Setembro Amarelo? Porque diversas pessoas são vítimas desse tipo de armadilha todos os dias e acabam sofrendo as consequências dos atos de terceiros.

Esse tipo de situação precisa ser debatido em um contexto maior do que apenas o golpe. É a oportunidade para falarmos sobre responsabilidade emocional e o que leva alguém a assumir um personagem para se relacionar. O catfish é uma soma de fatores, uma realidade em que ambas as pessoas estão carentes, precisando de atenção e que um delas está com sérios problemas de autoestima. Sim! O próprio golpista, na maioria das vezes, também é alguém precisando de ajuda.

Entenda: ele não tenta levar dinheiro da vítima, conseguir algum tipo de vantagem financeira, ele só quer se relacionar amorosamente com alguém. E assume para si mesmo que isso só será possível se ele “incorporar” uma nova imagem e personalidade.

Em contrapartida, a vítima sai desse relacionamento machucada, iludida, com a autoestima muito baixa. As consequências do catfish podem se estender por toda a vida.

Para quem foi vítima

Por mais que pareça algo simples e que não precisa de acompanhamento, a vítima do catfish deve procurar ajuda de um psicólogo. Principalmente se o envolvimento foi sido longo ou se ela sentir que está emocionalmente ligada àquela pessoa.

Assim como as vítimas de relacionamento abusivo, as pessoas que sofreram com um catfish tendem a se culpar pela situação e a achar que de alguma forma contribuíram para que aquilo acontecesse. Além da culpa, a vegonha faz com que elas se calem e não dividam as suas agonias com terceiros.

Esse silêncio pode se transformar, pouco a pouco, em ansiedade, depressão, dificuldade de se relacionar, aversão a relacionamentos, dentre inúmeros outros problemas. Por isso, é preciso procurar ajuda o quanto antes.

Responsabilidade emocional

Para que a saúde mental das pessoas seja preservada e que os relacionamentos sejam sinceros, tranquilos e tão felizes quanto deveriam ser, é preciso entender o que é responsabilidade emocional.

Nesse momento em que se debate tanto sobre segurança mental e saúde emocional, pedimos um momento de reflexão para todos Que se lembrem, ao começar a se envolver com alguém, que a outra pessoa está emocionalmente ligada a você, e que, provavelmente, foi você que a deixou se sentir assim.

empatia

A máxima “não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você” é muito verdadeira e precisa ser levada em conta na hora de iniciar uma relação. Responsabilidade emocional é ter consciência do impacto que as suas atitudes tem na vida do próximo.

É saber que enganar alguém para se sentir bem consigo mesmo tem consequências. Ser maduro e responsável emocionalmente significa que você se preocupa com os seus sentimentos e com os do outro.

Especial Setembro Amarelo

Começou o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio que se estende por todo o mês e é marcada por diversas ações, como palestras, passeatas, divulgação de vídeos e, o mais importante: debate e compartilhamento de informações. Criada em 2015 no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), a campanha tem como proposta garantir que a causa tenha cada vez mais visibilidade no país.

E o problema a ser combatido é bem sério. Atualmente, 32 brasileiros se suicidam por dia. No mundo, os números assustam ainda mais: é computada uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente 1 milhão de pessoas se suicidam todos os anos. E esses são só os dados computados. Sabe-se que no total, se levarmos em conta os problemas de subnotificação, a estatística é bem maior. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes.

Mas como esperar que as pessoas que sofrem caladas busquem ajuda se não falarmos abertamente sobre os problemas que afetam a saúde mental de todos nós? É preciso que as pessoas se unam em torno dessa causa e é por isso que nós, do Segurança da Família, preparamos um especial de cinco matérias totalmente voltadas à segurança mental. Fique atento às nossas publicações essa semana, compartilhe, converse com aqueles que estão perto de você e, caso precise, peça ajuda!